Uma prata que prolonga uma história de sucesso

Kim Hong-yeol, conhecido no mundo da dança como Hongten, voltou a subir ao pódio nos Jogos Asiáticos. Aos 42 anos, conquistou a medalha de prata na competição masculina de breaking dos Jogos de Aichi-Nagoya, no Japão, e tornou-se medalhista pela segunda edição consecutiva.

Na final, disputada a 3 de outubro, Hongten perdeu por 0-3 para o japonês Shigekix, nome artístico de Shigeyuki Nakarai, de 24 anos. Apesar de não ter repetido o ouro conquistado nos Jogos Asiáticos de Hangzhou — realizados em 2023, embora associados à edição de 2022 —, o sul-coreano voltou a mostrar que continua a competir ao mais alto nível.

«Queria receber a energia do ouro, por isso até pintei o cabelo», comentou Hongten depois da final, admitindo a desilusão com o resultado.

Uma competição para dançar, não apenas para vencer

A preparação e a experiência acumuladas não impediram o cansaço. Hongten contou que, quando chegou à final, o corpo já não respondia como desejava e que sentia as forças a diminuir. Brincou que cinco anos a menos talvez tivessem ajudado, mas a idade não o impediu de executar uma atuação intensa perante o público.

Desta vez, o seu objetivo principal não era apenas ganhar. Na edição anterior, a disputa por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Paris fez com que se concentrasse sobretudo no resultado. Em Aichi-Nagoya, procurou aproveitar a competição e deixar o corpo acompanhar o ritmo da música.

O público reagiu com entusiasmo à sua atuação, e Hongten disse que provavelmente foi quem mais sorriu ao longo do torneio. Para o atleta, desfrutar da experiência também foi uma forma de reconhecer o caminho percorrido: uma atuação não se mede apenas pela medalha, mas também pela liberdade e pela ligação criada com quem assiste.

Preparação física e novos movimentos

Antes dos Jogos, Hongten treinou no centro nacional de preparação desportiva de Jincheon, na Coreia do Sul. A rotina incluía exercícios de força pela manhã, prática de dança à tarde e sessões individuais à noite. O objetivo era reforçar a resistência necessária para uma modalidade que exige controlo do corpo, rapidez e esforço físico intenso.

Também trabalhou cuidadosamente os movimentos de entrada, conhecidos como toprock (passos de dança feitos de pé antes dos movimentos no chão). Queria apresentar uma atuação mais completa e acrescentou novos passos ao seu repertório, em vez de depender apenas das sequências que já dominava.

O breaking combina ritmo, expressão pessoal e movimentos acrobáticos. Numa batalha, os participantes alternam atuações ao som da música, e os avaliadores comparam aspetos como a técnica, a criatividade e a forma como cada dançarino interpreta o ritmo. É um pouco como improvisar uma resposta com o corpo: além de executar movimentos difíceis, é preciso adaptá-los à música e ao momento.

Aprender com os mais jovens para continuar a evoluir

Hongten sabe que a dança e as preferências do público mudam com o tempo. Em vez de insistir apenas no seu estilo, procura observar o que os dançarinos mais novos fazem e aprender com as novas tendências. Para ele, essa troca mantém a modalidade interessante e alimenta a vontade de continuar a dançar.

«Aprender a forma como os mais novos dançam é uma das razões que me fazem continuar», explicou.

A idade, diz, não significa que tenha deixado de poder evoluir. Pelo contrário: acompanhar mudanças e experimentar novas ideias permite-lhe combinar a experiência de décadas com movimentos e referências mais recentes. Essa abertura ajuda a explicar como continua competitivo numa modalidade em que a preparação física e a inovação têm grande importância.

De dançar com os amigos a vencer no mundo

Hongten começou a dançar no ensino básico, juntando-se a colegas que praticavam breaking. No início, era sobretudo uma atividade para se divertirem em grupo. Com o tempo, a dança tornou-se uma maneira de conhecer pessoas, crescer e construir uma parte importante da sua vida.

Em 2002, venceu uma competição internacional e chamou a atenção dentro e fora da Coreia do Sul. Mais tarde, conquistou por três vezes a final do Red Bull BC One, uma das competições mais conhecidas do breaking, nos anos de 2006, 2013 e 2023. O primeiro grande título continua a ser uma memória marcante, tal como a oportunidade de representar o seu país nos Jogos Asiáticos.

O seu percurso atravessa diferentes fases da modalidade: das competições ligadas à cultura urbana até à sua presença em grandes eventos desportivos. O breaking entrou no programa olímpico nos Jogos de Paris de 2024, um passo que aumentou a atenção internacional sobre a dança e os seus atletas. Para quem acompanha Hongten, a sua longevidade mostra também que a experiência pode continuar a ter valor num cenário em constante mudança.

«Quero que o meu desafio seja uma pequena esperança»

A medalha de prata não foi o único significado da competição para Hongten. Ver um atleta na casa dos 40 anos continuar a apresentar-se ao mais alto nível pode encorajar quem pensa que perdeu a oportunidade de começar ou de tentar algo diferente. Ele espera que a sua trajetória ajude outras pessoas a questionar a ideia de que existe uma idade certa para perseguir um objetivo.

«Quero mostrar que, mesmo quando pensamos que é tarde, ainda é possível começar algo novo. Espero que o meu desafio se torne uma pequena coragem e uma pequena esperança para alguém.»

O atleta dirigiu-se especialmente às pessoas da sua geração, reconhecendo que a vida também traz períodos difíceis. Disse que a dança o ajudou a voltar a sorrir e deixou uma mensagem de incentivo: mesmo quando há obstáculos, podem existir dias melhores pela frente.

O futuro do breaking sul-coreano

Depois de tantos títulos, Hongten também pensa no futuro da modalidade na Coreia do Sul. Gostaria de ver o país recuperar força no breaking e afirmou que está disposto a partilhar a experiência e os conhecimentos que acumulou com os atletas mais novos. A transmissão de técnicas e valores pode ajudar a criar condições para que novas gerações cresçam sem perder as raízes culturais da dança.

O dançarino quer ser lembrado não apenas pelas medalhas, mas também por ter respeitado a cultura do breaking, dançado com prazer e influenciado positivamente os seus sucessores. E não pretende parar depois dos Jogos Asiáticos: já começou a preparar-se para a próxima competição, os Jogos Desportivos Nacionais da Coreia do Sul.

A prata em Aichi-Nagoya confirma a sua regularidade, mas a mensagem que Hongten deixa vai além do pódio. Continuar a aprender, aceitar mudanças e insistir num caminho próprio pode ser tão importante como vencer — e, para quem o vê dançar, pode ser o primeiro passo para acreditar que ainda há tempo.