Em 21 de setembro, ocorreu uma explosão de mina na Zona Desmilitarizada (비무장지대) da Frente Ocidental. Em uma entrevista coletiva realizada em 28 de setembro, o Ministério da Defesa afirmou ser muito provável que se tratasse de uma mina norte-coreana. No entanto, as informações divulgadas não permitem confirmar quando a mina foi colocada nem que medidas as forças sul-coreanas adotaram na ocasião.

O oficial A, que trabalha na sala de situação de uma unidade da Frente Oriental, testemunhou que militares norte-coreanos descem para o sul da linha de demarcação militar carregando caixas que, segundo ele, parecem ser caixas de minas, trabalham por mais de 10 horas e depois retornam ao norte. Se esse testemunho for verdadeiro, o acidente não deve ser analisado apenas como um caso isolado cuja causa precisa ser esclarecida: também é necessário considerá-lo no contexto das repetidas incursões na região fronteiriça e dos problemas de vigilância e resposta. No entanto, o testemunho de A no local e os números oficiais têm escopos e fundamentos diferentes e não devem ser comparados diretamente como se fossem dados da mesma natureza.

Antecedentes e contexto

Segundo A, os militares norte-coreanos descem para o sul, em média, entre 6h e 6h30 da manhã para trabalhar e voltam ao norte entre 19h e 21h. Ele afirmou que, embora o Ministério da Defesa tenha divulgado cerca de 17 incursões além da linha de demarcação militar no ano passado, o total ultrapassaria 200 se fossem incluídos os casos não divulgados de todos os corpos de exército. Por outro lado, não é possível saber, com base no conteúdo da reportagem, quais critérios foram usados para contabilizar esses mais de 200 casos nem que período e áreas foram abrangidos.

A explicou que, pelas normas, os militares devem fazer transmissões de advertência e disparos de advertência em caso de provocação ou incursão por parte das forças norte-coreanas. Segundo ele, porém, o principal objetivo dos disparos de advertência é fazer com que o som dos tiros seja ouvido, e eles são feitos em direção ao solo ou ao ar. A testemunhou que, em um dia em que sua unidade detectou uma incursão, fez mais de 50 transmissões de advertência, mas os militares norte-coreanos terminaram o trabalho e foram embora mesmo assim. Trata-se de um testemunho no local, e não de uma explicação oficial que confirme o padrão de resposta de todas as unidades ou as medidas adotadas no momento deste acidente.

Questionados sobre a resposta militar quando a mina foi colocada, os militares disseram que não poderiam dar muitos detalhes, pois se tratava de medidas operacionais. A investigação no local começou em 27 de setembro, seis dias após o acidente. A data de início da investigação e a resposta militar são questões que precisam ser examinadas separadamente; não é possível concluir, apenas com base no cronograma da investigação, se houve medidas operacionais na ocasião ou se elas foram adequadas.

A reportagem afirmou que, no caso das minas de madeira na DMZ, em 2015, as forças sul-coreanas não perceberam que militares norte-coreanos haviam cruzado a linha de demarcação militar nem quando as minas foram colocadas. Em seguida, Kim Kwan-jin, então chefe do Escritório de Segurança Nacional da Casa Azul (청와대 국가안보실), retomou as transmissões por alto-falantes dirigidas à Coreia do Norte; depois que as forças norte-coreanas dispararam artilharia, as forças sul-coreanas responderam com 29 disparos de obuses autopropulsados K-9, e a Coreia do Norte reconheceu a responsabilidade e pediu desculpas, segundo a reportagem. A evolução da resposta ao caso anterior pode servir de contexto para comparar com a situação atual, mas não foram apresentados motivos para afirmar que as condições no local ou as decisões operacionais de então sejam iguais às de agora.

O que esta notícia significa

Para avaliar a situação de segurança nas regiões fronteiriças, é importante considerar não apenas o número de incursões, mas também que ações ocorreram, quando os militares as detectaram e que medidas adotaram. O número oficial de cerca de 17 casos e a alegação de A de mais de 200 podem abranger universos diferentes; por isso, não é possível concluir, apenas com base nos números, que um deles represente a situação como um todo. Sem a divulgação dos critérios e dos fundamentos da contagem, também é difícil para o público avaliar a frequência dos episódios ou o nível de risco.

A reportagem apresenta interpretações diferentes sobre o objetivo das incursões norte-coreanas. A afirmou que, internamente, são analisadas explicações como a fortificação da fronteira, a prevenção de uma ofensiva sul-coreana rumo ao norte e a prevenção de deserções para a Coreia do Sul por parte de militares e civis norte-coreanos. Park Hwi-rak, presidente do Grupo de Estudos de Resposta Nuclear Norte-Coreana (북핵대응연구회), da Fundação para o Avanço da Península Coreana (한반도선진화재단), alegou que a colocação das minas faz parte de uma série de provocações e de uma intenção de atacar. Essas explicações devem ser entendidas como análises e alegações distintas, e não como confirmação do objetivo da colocação das minas ou da intenção do comando norte-coreano.

Após o acidente, a Coreia do Norte afirmou, em 30 de setembro, por meio de uma declaração de Kim Yo-jong, diretora do Departamento de Assuntos Gerais do Partido dos Trabalhadores da Coreia (노동당), que reforçaria os meios de contra-ataque tático na direção da Zona Desmilitarizada em que se encontra a 21ª Divisão de Infantaria do 3º Corpo do Exército sul-coreano. No mesmo dia, Kang Hyun-woo, chefe de Operações do Estado-Maior Conjunto (합동참모본부), afirmou que o ataque norte-coreano com minas violava o Acordo de Armistício (정전협정) e pediu que o Norte se desculpasse e adotasse medidas responsáveis. Como os dois lados fizeram declarações, também será necessário acompanhar como as tensões em torno da situação nas regiões fronteiriças serão administradas.

Por exemplo, soldados que servem nas regiões fronteiriças e seus familiares podem verificar separadamente os resultados oficiais da investigação e os testemunhos no local, em vez de avaliar a segurança com base em um único número de incursões. Em particular, antes que sejam esclarecidos o momento em que a mina deste caso foi colocada e as medidas operacionais adotadas na ocasião, é difícil afirmar conclusivamente qual foi a causa ou se a resposta foi adequada.

Fatos confirmados e o que ainda não se sabe

Fatos confirmados

  • Em 21 de setembro, ocorreu uma explosão de mina na Zona Desmilitarizada da Frente Ocidental, e, em 28 de setembro, o Ministério da Defesa afirmou ser muito provável que se tratasse de uma mina norte-coreana.
  • O oficial A testemunhou que militares norte-coreanos cruzavam com frequência a linha de demarcação militar, trabalhavam por longos períodos e, em um caso, concluíram o trabalho mesmo após transmissões de advertência.
  • O Ministério da Defesa anunciou que houve cerca de 17 incursões além da linha de demarcação militar no ano passado, enquanto A afirmou que o total ultrapassaria 200 se fossem incluídos os casos não divulgados de todos os corpos de exército.
  • A investigação no local começou em 27 de setembro, seis dias após o acidente, e os militares disseram que não poderiam dar muitos detalhes sobre a resposta na ocasião por se tratar de medidas operacionais.
  • Em 30 de setembro, a Coreia do Norte anunciou que reforçaria seus meios de contra-ataque tático, e o chefe de Operações do Estado-Maior Conjunto pediu desculpas e medidas responsáveis.

O que ainda não se sabe

  • Não foi confirmado quando a mina que explodiu foi colocada. Em 29 de setembro, o ministro da Defesa Kang Shin-chul disse, em uma reunião da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia Nacional (국회 국방위원회), que era preciso determinar se a mina já estava no local desde 1969 ou se havia sido instalada em setembro de 2025.
  • As informações divulgadas não permitem verificar os fundamentos e o escopo da contagem dos mais de 200 casos de incursão além da linha de demarcação militar mencionados por A.
  • Também não foram divulgadas as medidas operacionais adotadas pelas forças sul-coreanas quando os militares norte-coreanos colocaram a mina.

O que os leitores devem acompanhar

  • É necessário verificar se a investigação posterior apresentará conclusões sobre o tipo de mina e o momento em que foi colocada.
  • Se forem divulgados novos números de incursões além da linha de demarcação militar, vale observar se também serão informados o período e as áreas abrangidos, bem como os critérios para incluir os casos.
  • Caso as medidas operacionais adotadas na ocasião sejam divulgadas, é recomendável verificar separadamente se houve transmissões ou disparos de advertência e por que a resposta foi limitada.